SOBREVIVENDO NA INDEPENDÊNCIA - GRAVAÇÕES RUINS E VOVÓ NO PALCO


Cavalo, Rick e Paulão em show no Madame Satã (1988)
Ainda com o Rick na bateria nós gravamos uma demo de oito músicas pra mandar para as gravadoras. Na minha cabeça era uma última chance para as Velhas Virgens. Estava vendo a mesma coisa que o Rick (batera). Andávamos em círculos cada vez mais concêntricos. Logo chegaríamos a lugar nenhum.
O lance é que o único ali com dinheiro e estabilidade financeira para bancar um estúdio era o Celso (vocalista e irmão do Paulão). Ele é dentista e trocou um tratamento dentário dos dois produtores pela gravação das músicas. Tenho que admitir que, apesar de achar o Celso um equivoco como vocalista, fui levando e usando a participação dele na banda, enquanto me interessava. Foi bastante cretino da minha parte, mais uma das minhas muitas babaquices. Mas passado não dá pra mudar, só aprender com os erros, fazer as pazes consigo mesmo e andar pra frente. Fazer as pazes consigo mesmo é uma coisa muito nietzscheniana. Gostaria de dizer que consegui, mas estou mentindo. Tenho arrependimentos de matar e muita dívida pra pagar. Uma desculpa aqui já é um começo.
No final, gravamos as oito músicas e não deu em nada. Nenhuma dessas músicas foram usadas no primeiro CD das Velhas. 
Olha o set da fita demo (tem alguns links pra ouvir essas músicas)
Fama
Aparteid
Juventude
Deixa Sangrar
Eu só quero fazer amor
Braços de Seda
Somos Todos Velhas Virgens
Cynthia

Como já disse anteriormente, a única música que rendeu um pouco foi Cynthia. Não o suficiente pra fazer alguma gravadora se interessar. Ouvindo o disco hoje eu vejo como a gente era ruim. Esse não é o maior dos problemas, na época tinha um monte de bandas ruins fazendo bons discos. O que me irrita é que os dois produtores, apesar de experientes, simplesmente gravaram de qualquer jeito. Timbres feios, a mix é ruim, enfim não fizeram nenhum esforço pra melhorar ou até salvar as músicas. Em contrapartida eu tenho certeza que o Celso cuidou muito bem da boca deles. Acredito que tenham recebido mais do que nos entregaram.
Rick tocando com as Velhas Virgens
Houve um momento especial nessa fase que culminou com um show no Espaço Mambembe. Um teatro fantástico no bairro do Paraíso em São Paulo. Naquele palco com uma infraestrutura incomum para a época passaram todas as bandas que estavam em atividade no final dos anos 80.
Participamos de um festival e fizemos um ótimo show. A gente já estava pensando em cenografia e loucuras no palco desde aquela época. Nesse show colocamos minha avó no palco em uma cadeira de balanço, personificando a Velhas Virgens. Foi sensacional e a minha falecida vó curtiu muito a noite! Saudades dela!
Olha a vovó no palco do Mambembe, toda produzida. 

Logo depois o Rick saiu da banda, vendo que aquilo tudo ia dar em nada.
Ainda insistimos um pouco. Um amigo meu de colégio, chamado Fábio que tocava Metal, entrou por um tempo e pisou na bola com a gente. A gente suportava quase tudo, mas quando marcávamos alguma coisa era sério. Tinha até um primo dele que tocava teclado que tiramos também. As coisas estavam desmoronando e iam ficar piores!

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